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domingo, 1 de março de 2009

ROSTO

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© João Menéres

Um rosto bondoso em Chiang Rai, ao norte da Tailândia.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

ALENTEJO

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© João Menéres

DE RELANCE, O ALENTEJO

Um céu abafadiço, um ar de ausência
esperando nuvens imóveis no céu abaixo.
A terra, já das ceifas recolhida,
alonga-se manchada a flores tardias,
roxas, vermelhas, amarelas, brancas,
como penugem de esquecida Primavera.

Por entre os campos, os cordões rugosos
dos caminhos para toda a parte,
menos para os campos, que pacientemente evitam.
Na linha do horizonte próxima ou distante
conforme as ténues cristas da planura imensa,
um claror de céu, um tufo de arvoredo,
alternadamente se tocam e se afastam.

De súbito, num alto que a planície esconde,
as casas surgem brancas e compactas.
Como surgem, mergulham
na sombra poeirenta de azinhagas em ruínas.
Ainda se demora uma torre antiga,
escura, com ameias e janelas novas,
caiadas.
Um rio se adivinha. Mas, de ao pé da ponte,
de novo apenas o ondular da terra,
um crespo recordar só de searas idas.

(Jorge de Sena, Lisboa 1919 / California 1978 )

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CONVENTOS E MOSTEIROS

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© João Menéres

AS RUÍNAS DO MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE JÚNIAS

Quem, saído da aldeia de Pitões das Júnias, se dirigir para sul, seguindo a indicação
de uma placa, a vista alcança-o de cima.
A Igreja tem agora um telhado novo.
Tudo o resto está como há trinta e sete anos o conhecemos e que aqui podem ver.
Mas, já em 1533, Edme de Saulieu, abade visitador de Claraval, chegado a Júnias, logo se lamenta por encontrar este convento em ruínas e desertado de frades.
Mas, nos séculos seguintes, foi revivido e repovoado.
Por altura de um Carnaval de mil oitocentos e muitos, uns foliões
levaram "divertimento" e folia para o campo de piromaníaco.
As instalações conventuais arderam sem restrições.
Só a modesta igreja resistiu com galhardia.
O ano de 1147 será o ano provável da sua fundação. Frei Gonçalo Coelho,
com devota fama no mosteiro de Santo Tirso, é nomeado abade de Júnias em 1499.
Logo, junto à fachada sul, corre o Ribeiro do Campesinho (visível na imagem).
Imaginamos que, para além de servir frescas águas, servia bem
para as operações de higiene diária.
Menos de mil metros para poente, situa-se a
Cascata de Pitões, voltada para noroeste.
Para além do muito difícil acesso, a sua exposição solar e
as ramagens que se interpõem, não facilitam a obtenção de uma fotografia.
Como tenho uma feita há meia dúzia de anos, em breve, a mostrarei.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Á G U A

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© João Menéres

MELODIA

Dedos,
Pés,
Mãos
Não podem ser mentira.

-Porque o teu corpo
É harpa que respira...

(Pedro Homem de Melo, in Ecce Homo)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

GRAFISMO

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© João Menéres

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

PORTO

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© João Menéres

A RIBEIRA DA MINHA CIDADE DO PORTO


CORPO HABITADO

Corpo num horizonte de água,
corpo aberto
à lenta embriaguez dos dedos,
corpo defendido
pelo fulgor das maçãs,
rendido de colina em colina,
corpo amorosamente humedecido
pelo sol dócil da língua.

Corpo com gosto a erva rasa
de secreto jardim,
corpo onde entro em casa,
corpo onde me deito
para sugar o silêncio,
ouvir
o rumor das espigas,
respirar
a doçura escuríssima das silvas.

Corpo de mil bocas,
e todas fulvas de alegria,
todas para sorver,
todas para morder até que um grito
irrompa das entranhas,
e suba às torres,
e suplique um punhal.
Corpo para entregar às lágrimas.
Corpo para morrer.

Corpo para beber até ao fim--
meu oceano breve
e branco,
minha secreta embarcação,
meu vento favorável,
minha vária, sempre incerta
navegação.

(Eugénio de Andrade, in Obscuro Domínio)


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

AÇORES

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© João Menéres

AMANHECER NO PICO


Não estejas longe de mim um dia que seja, porque,
porque, não sei dizê-lo, é longo o dia,
e estarei à tua espera como nas estações
quando em algum sítio os comboios adormecerem.

Não te afastes uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas da insónia
e talvez o fumo que anda à procura de casa
venha matar ainda meu coração perdido.

Ai que não se quebre a tua silhueta na areia,
ai que na ausência as tuas pálpebras não voem:
não te vás por um minuto, ó bem-amada,

porque nesse minuto terás ido tão longe
que atravessarei a terra inteira perguntando
se voltarás ou me deixarás morrer.

(Pablo Neruda, in Cem Sonetos de Amor)