© João Menéres
NU SENTADO NO DIVÃ
AGORA, QUE TOMEI BANHO
E ME PERFUMEI COM INFUSÃO DE ROSAS,
PODES VIR PINTAR O MEU RETRATO.
SENTO-ME DE LADO.
NÃO QUERO QUE MOSTRES
AS CURVAS TODAS DO MEU CORPO,
NEM QUE DESVENDES A MAIS ÍNTIMA
NUDEZ DE MINHAS SEDES.
TENHO SOB A PELE A MÁSCARA DA INIBIÇÃO
ONDE ESCONDO O ANSEIO MUNDANO
DE COLORIR O DESACERTO DOS MEUS PASSOS.
POR ISSO, RETOCA DEVAGAR O RECORTE DOS LÁBIOS,
O DESENHO DOS OLHOS E ESTE QUASE PUDOR
QUE O GUME DO TEMPO TECEU EM MEU SORRISO.
NEM QUE DESVENDES A MAIS ÍNTIMA
NUDEZ DE MINHAS SEDES.
TENHO SOB A PELE A MÁSCARA DA INIBIÇÃO
ONDE ESCONDO O ANSEIO MUNDANO
DE COLORIR O DESACERTO DOS MEUS PASSOS.
POR ISSO, RETOCA DEVAGAR O RECORTE DOS LÁBIOS,
O DESENHO DOS OLHOS E ESTE QUASE PUDOR
QUE O GUME DO TEMPO TECEU EM MEU SORRISO.
( GRAÇA PIRES, in Fui quase todas as mulheres de Modigliani, de poética edições /
oferta gentil da amiga Ana Freire, por ocasião do meu aniversário que assim
me facultou conhecer esta brilhante autora ).