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sábado, 7 de março de 2009

RURALIDADES

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© João Menéres


MINHO


"Nas pequenas herdades vêem-se, por entre latadas, branquejar casais modestos, tendo junto eiras postas ao sol, ao lado de medas de palhas milhas, trigas e centeias, com suas cimeiras cruzes de colmo, as quais, com as de granito no topo dos canastros e dos portões de telhados de duas águas, protegem todo o casal cristão: - gentes e gados."

(Antero de Figueiredo, in Minho)

sexta-feira, 6 de março de 2009

GRAFISMO

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© João Menéres

Tive um espelho em criança
que me lembrava um rio.

Não era por aqui que eu queria começar
mas por versos diferentes
que falassem de pontes.
Só me lembrei do espelho
por causa de acordar com ele ao fundo,
escondido na memória,
trazido por um sonho desta noite.

(Ana Luísa Amaral, in E Ao Falar De Espelhos, De Pontes Falarei)

ARTES PLÁSTICAS

EXPOSIÇÃO SETE OLHARES SOBRE O PORTO

O Escultor Rui Anahory e a Artista Renata Carneiro




Isaura Amen, Miriam Rodrigues, Sofia Krioukova,
Ludmila, Teresa Barbosa e Céu Costa

5 dos Expositores :
Júlia Pintão, Renata Carneiro, João Menéres. Miriam Rodrigues e Céu Costa.


© João Menéres


A abertura da exposição correu bem (muito bem).
Não faltou animação entre as dezenas de pessoas que estiveram nesta ocasião.
Elogios à iniciativa da Associação Matriz também não faltaram.
Na verdade, a conjugação das gravuras com as imagens que as originaram
resultou numa exposição bonita de se ver.

Não tive oportunidade de obter fotografias mais significativas.
Imaginam as razões, certamente.

Como as gravuras estão emolduradas em caixa com vidro normal,
é difícil fotografa-las com o mínimo de qualidade.
Veremos se há gravuras não emolduradas para poder
mostrar o trabalho destas 6 magníficas artistas.

quinta-feira, 5 de março de 2009

ARTES PLÁSTICAS


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" SETE OLHARES SOBRE O PORTO "

As artistas plásticas Carla Marques, Céu Costa, Júlia Pintão, Mami Higuchi, Miriam Rodrigues e Renata Carneiro, fundadoras do Grupo Matriz, entenderam fazer uma exposição de Gravura a partir de 8 imagens fotográficas minhas.

No total, estão expostas 11 gravuras, além das 8 imagens.

Estas imagens fazem parte de uma colecção que a Câmara Municipal do Porto me adquiriu e que se intitula PORTO MEU.

Desnecessário dizer que para mim é sempre motivo de enorme satisfação quando um pintor ou, neste caso específico, 6 ilustres gravadoras partem de um trabalho meu e o recriam com total liberdade.


Imagens da montagem (dia 4 de Março) da exposição :


© João Menéres

quarta-feira, 4 de março de 2009

NATUREZA




A ORIGEM DO MUNDO E NÃO SÓ



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© João Menéres



A razão desta postagem começa com a apreensão,

por parte da Polícia da Segurança Pública, da Cidade de Braga,

de uns quantos livros que, na sua capa, reproduziam o

quadro de Courbet "A ORIGEM DO MUNDO".


Vários blogueiros se referiram ao facto.

Destaco o 100 Cabeças, de Rui Silvares, em 24 de Fevereiro.

Três dias depois, ou seja, a 27 de Fevereiro, o JUMENTO,

apresenta-nos uns seios monumentais transportados num carro de bois.

A 28 de Fevereiro, no blog CONCEIÇÃO DUARTE, a autora

apresenta-nos A FESTA NA CHINA e promete, para muito breve,

a sua interacção com um pénis.

A quem, por acaso, não acompanhou algum destes referidos

blogs, sugiro que os consultem agora.



Não posso deixar de dar o meu contributo.

Fotografei a Cascata da Cabreira (Rio Mau), não longe de Sever do Vouga.

O que vemos: Um falo, a que nada falta.

Nem o higiénico banho após o presumível acto consumido...

Esta maravilha está situada na Beira Litoral.

O que já lhe não teria acontecido se estivesse em Braga?






MAS QUEREM SEIOS ?






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© João Menéres


Então, aqui está um que esguicha
a qualquer hora...
À vontade do freguês.
(Paris - Praça Georges Pompidou)

terça-feira, 3 de março de 2009

JUAN MUÑOZ




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© João Menéres


JUAN MUÑOZ

UMA RETROSPECTIVA



No Museu de Arte Contemporânea, (projecto do renomado Arqto.

Álvaro Siza Vieira), da Fundação de Serralves, esteve patente,

de 2 de Novembro de 2008 a 24 de Fevereiro de 2009,

esta importante exposição de Juan Muñoz, nascido em Madrid, em 1953 e

falecido em 2001 em Palma de Maiorca.




Photobucket © João Menéres


FIGURAS  SUSPENSAS



No grande átrio do Museu, duas rodopiantes figuras suspensas pelos dentes.

Quem conhecer o quadro de Degas, Mlle Lala au Cirque Fernando,

poderá associar estes trabalhos.

No entanto, aqui as figuras, tanto pelas vestes, como pela expressão,

são mais ambíguas.

A força destas figuras resulta desta ambiguidade de espectáculo e horror.

Optámos por fotografar de um plano superior para baixo.

Assim, observa-se com mais detalhe a suspensão pelos dentes.






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© João Menéres


Conversações

Aqui temos um conjunto de cinco figuras em bronze, em tamanho natural,

com cabeças redondas e faces mudas, também com feições semelhantes.

Encostam-se umas às outras, murmuram-se, ignoram-se.

Está criado um espaço teatral onde se desenvolve um drama misterioso.




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© João Menéres


Uma das cabeças mais pormenorizada.



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© João Menéres



Uma varanda de hotel
Ao ser colocada na parede , cria-se um ambiente parecido com o da rua.
Da varanda observamos a rua em baixo,
mas quem passa na rua também nos observa.




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© João Menéres



MUITAS VEZES



Esta é uma obra que se destacava, quanto mais não fosse pelas inúmeras
figuras presentes nesta grande sala.
Vestidas de idêntico modo, de feições semelhantes, foram modeladas a partir de um busto de feições asiáticas que Muñoz encontrou num hotel.
Estão reunidas, tanto em pares, como em pequenos grupos.
Aparentemente mergulhadas em conversa.
Avaliam-se entre si, entre se si se ignoram.
E o espectador, mais afastado ou entre as figuras,
qual será o seu papel?


O de observador? O de observado?



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© João Menéres

Junto a um canto da grande sala.




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© João Menéres


Esta obra, Sombra e boca, contém algo de sinistro.
O que vemos aqui?
Uma figura sentada junto a uma mesa e
outra, sentada de costas, com a cara colada à parede.

Que representam?
Uma relação de domínio, aparentemente...
A boca colada à parede move-se...
Sussurra algum segredo?




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© João Menéres





Aqui, é um ventríloquo a contemplar duas cenas com o seu quê de enigmático.
A boca da figura move-se por meios mecânicos.
Sem o ventríloquo para lhe dar voz, temos o silêncio.


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© João Menéres



No pavimento desta sala, logo à entrada, está a miniatura de um automóvel.
Na parede do fundo, "reside" esta sombra gigante do indivíduo que, estupefacto,
parece assistir a algo que se passa e que nós não vemos.


Algo provocado pelo automóvel?

Não sabemos.




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© João Menéres

Figuras sentadas com cinco tambores

Ignoram quem as observa. Estão concentradas entre si e nos seus tambores.




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© João Menéres



Duas figuras mascaradas diante de um espelho.




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© João Menéres




À saída, a noite por mim já esperava.

segunda-feira, 2 de março de 2009

PORTO

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© João Menéres

CIDADE

Meti-me por setembro fora, a caminho do fulgor das
maçãs, deixando para trás os bruscos golfos da tristeza
e uma luz de neve quebrada de vidraça em vidraça.
Contemplava a cidade das pontes pela última vez,
envolvida por lençóis encardidos e uma névoa que
subia do rio para lhe morder o coração de pedra.
Era um burgo pobre, sujo, reles até -- mas gostaria
tanto de lhe pôr um diadema na cabeça.

(Eugénio de Andrade, in Memória de Outro Rio)