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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PORTUGAL ANALISADO

PARA MUITOS PORTUGUESES
TRANSCREVO A OPINIÃO
DESTA ADVOGADA BRASILEIRA:


Coisas que o mundo inteiro deveria aprender com Portuga
26/11/2016, 13:3939.348
Portugal é um país muito mais equilibrado do que a média e é muito maior do que parece. Acho que o mundo seria melhor se fosse um pouquinho mais parecido com Portugal.
Dentre as coisas que mais detesto, duas podem ser destacadas: ingratidão e pessimismo. Sou incuravelmente grata e otimista e, comemorando quase 2 anos em Lisboa, sinto que devo a Portugal o reconhecimento de coisas incríveis que existem aqui- embora pareça-me que muitos nem percebam.
Não estou dizendo que Portugal seja perfeito. Nenhum lugar é. Nem os portugueses são, nem os brasileiros, nem os alemães, nem ninguém. Mas para olharmos defeitos e pontos negativos basta abrir qualquer jornal, como fazemos diariamente. Mas acredito que Portugal tenha certas características nas quais o mundo inteiro deveria inspirar-se.
Para começo de conversa, o mundo deveria aprender a cozinhar com os portugueses. Os franceses aprenderiam que aqueles pratos com porções minúsculas não alegram ninguém. Os alemães descobririam outros acompanhamentos além da batata. Os ingleses aprenderiam tudo do zero. Bacalhau e pastel de nata? Não. Estamos falando de muito mais. Arroz de pato, arroz de polvo, alheira, peixe fresco grelhado, ameijoas, plumas de porco preto, grelos salteados, arroz de tomate, baba de camelo, arroz doce, bolo de bolacha, ovos moles.
Mais do que isso, o mundo deveria aprender a se relacionar com a terra como os portugueses se relacionam. Conhecer a época das cerejas, das castanhas e da vindima. Saber que o porco é alentejano, que o vinho é do douro. Talvez o pequeno território permita que os portugueses conheçam melhor o trajeto dos alimentos até a sua mesa, diferente do que ocorre, por exemplo, no Brasil.
O mundo deveria saber ligar a terra à família e à história como os portugueses. A história da quinta do avô, as origens trasmontanas da família, as receitas típicas da aldeia onde nasceu a avó. O mundo não deveria deixar o passado escoar tão rapidamente por entre os dedos. E se alguns dizem que Portugal vive do passado, eu tenho certeza de que é isso o que os faz ter raízes tão fundas e fortes.
O mundo deveria ter o balanço entre a rigidez e a afeto que têm os portugueses.
De nada adiantam a simpatia e o carisma brasileiros se eles nos impedem de agir com a seriedade e a firmeza que determinados assuntos exigem. O deputado Jair Bolsonaro, que defende ideias piores que as de Donald Trump, emergiu como piada e hoje se fortalece como descuido no nosso cenário político. Nem Bolsonaro nem Trump passariam em Portugal. Os portugueses- de direita ou de esquerda- não riem desse tipo de figura, nem permitem que elas floresçam.
Ao mesmo tempo, de nada adianta o rigor japonês que acaba em suicídio, nem a frieza nórdica que resulta na ausência de vínculos. Os portugueses são dos poucos povos que sabem dosar rigidez e afeto, acidez e doçura, buscando sempre a medida correta de cada elemento, ainda que de forma inconsciente.
Todo país do mundo deveria ter uma data como o 25 de abril para celebrar. Se o Brasil tivesse definido uma data para celebrar o fim da ditadura, talvez não observássemos com tanta dor a fragilidade da nossa democracia. Todo país deveria fixar o que é passado e o que é futuro através de datas como essa.
Todo idioma deveria carregar afeto nas palavras corriqueiras como o português de Portugal carrega. Gosto de ser chamada de miúda. Gosto de ver os meninos brincando e ouvir seus pais chama-los carinhosamente de putos. Gosto do uso constante de diminutivos. Gosto de ouvir “magoei-te?” quando alguém pisa no meu pé. Gosto do uso das palavras de forma doce.
O mundo deveria aprender a ter modéstia como os portugueses -embora os portugueses devessem ter mais orgulho desse país do que costumam ter. Portugal usa suas melhores características para aproximar as pessoas, não para afastá-las. A arrogância que impera em tantos países europeus, passa bem longe dos portugueses.
O mundo deveria saber olhar para dentro e para fora como Portugal sabe. Portugal não vive centrado em si próprio como fazem os franceses e os norte americanos. Por outro lado, não ignora importantes questões internas, priorizando o que vem de fora, como ocorre com tantos países colonizados.
Portugal é um país muito mais equilibrado do que a média e é muito maior do que parece. Acho que o mundo seria melhor se fosse um pouquinho mais parecido com Portugal. Essa sorte, pelo menos, nós brasileiros tivemos.

Ruth Manus é advogada e professora universitária e assina um blogue no Estado de São Paulo,


17 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Uma brasileira apaixonada pela terrinha...

João Menéres disse...

EDUARDO

Não é só pela terrinha ( refere-se a Portugal, Eduardo ? ).
É pela forma como somos a receber quem nos visita.
Uma janela ( ou mesmo a porta ) sempre aberta.

Um abraço.

Os olhares da Gracinha! disse...

Espero que haja muita "gente" a pensar como ela!
BOM ANO

João Menéres disse...

GRACINHA

Temos o vício de nos queixarmos permanentemente, é o que é.
Não conhecemos este pequeno país, mas corremos para destinos exóticos para fazer vista perante os amigos.


Um beijo e fico-te grato por teres lido e comentado.

bea disse...

Amei a D. Rute. Na boca dela, somos é bacanas demais da conta.

João Menéres disse...

BEA

Nem temos onde cair mortos...

Um beijo amigo.

Tété disse...

Grande Ruth Manus !!! Será que nos damos conta do que deixamos passar para o mundo? Que todos saibamos amar o nosso país e nos empenhemos em fazer com que ele progrida em todas as direções.
Gostei!
Abraços

João Menéres disse...

TÉTÉ

Andamos muito distraídos com o que se passa lá fora, sabes ?
Fingimos ignorar os valores nacionais...

Um beijo agradecido.

Elvira Carvalho disse...

Mas temos um terrível defeito. Pensamos sempre que o que é bom é o que vem de fora.
Um abraço

GL disse...

Aí está a opinião de alguém que vê, não só o nosso País, mas nós enquanto povo, de uma forma que nos alimenta o ego.:)
Penso que não será a excepção. Quem nos visita/conhece gosta de nós, do nosso cantinho, da nossa forma afável de bem receber, da nossa forma de estar na vida.
Somos bons, sim, só que por vezes quase nos esquecemos.:(

Beijinho, João.

João Menéres disse...

ELVIRA

Sofremos de um complexo de inferioridade !
É um ADN recente !

Um beijo.

João Menéres disse...

GL

Mas claro que somos apreciados !
Basta ver as distinções que temos arrecadado : MELHOR DESTINO TURÍSTICO, MELHOR CIDADE !...

Um beijo amigo.

Eduardo P.L. disse...

João aqui no Brasil quando dizemos "TERRINHA" é uma forma CARINHOSA de manifestarmo-nos.

Isabel disse...

Se os políticos pensassem assim, não desbaratavam o país, como o têm feito. É uma pena!
Eu também acho que vivemos no melhor país do mundo!
Um beijinho:)

Agostinho disse...

O que é Nacional é bom.

Um Bom Ano 2017.

Ana Freire disse...

Esta advogada brasileira, terá melhor opinião sobre os portugueses... do que muitos portugueses sobre si próprios!...
De uma forma muito geral... a grande maioria dos portugueses só reconhece o verdadeiro valor de outros portugueses, quando estes são reconhecidos fora do seu país... tal como a Elvira mais acima afirma... haverá sempre a tendência para considerar que só o que é bom, vem de fora... e da mesma forma, só quando os nossos são valorizados lá fora... é que por cá... se lhes dá o benefício da dúvida...
Gostei imenso do texto, João!
Beijinhos
Ana

© Piedade Araújo Sol disse...

muito interessante....

gostei de ler e de me sentir portuguesa...

bem compartilhado

beijo

:)